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O QUE FIZ EM 2018


2018-2019





Com cada pesquisa em Google estamos a arquivar parte da nossa memória, criando mapas conceptuais cronológicos das nossas vidas. Decidi registar o meu ano 2018 através do historial do meu telemóvel, escrevendo numa agenda cada dia, por horas, a que aplicações entrei e as pesquisas que fiz em Google. Funciona, por tanto, como uma agenda inversa, que leva inventário do que aconteceu no passado e não como lembrete do futuro.
Como sociedade, sentimos paixão por aquilo que não vale a pena ser lido, visto ou ouvido, e que está levando à rede a se encher de acontecimentos pessoais irrelevantes, baixo a lógica esmagadora do slogan “Tu és a informação”. Estes dados recompilados na minha agenda nem sequer têm um caráter emocional de por si: todas as vezes que abri Facebook, os memes que procurei, a minha localização em Google Maps. Tudo isto está registado, a minha experiência na net e fora dela está arquivada, e, ainda que não é acessível para o resto (tão só para Google, signifique o que signifique isso), está lá. As empresas jogam a carta da transparência no que refere à acumulação de dados, aparentemente preocupados pela nossa privacidade. Por tanto, a questão à que enfrento é: que perigos esconde que decida extraer o meu historial das suas bases de dados e os exponha ante o mundo?