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A Melhor Versão de Mim Própria


2019




Uma reflexão em torno ao facto do capitalismo ter-se apropriado do feminismo, separando-o do seu caráter político para poder apresentá-lo como mais um bem de consumo, através duma linguagem baseada num marketing que nos é muito familiar a todas. Uma crítica ao cada vez mais crecente “purplewashing”, é dizer, a usar o feminismo como estratégia publicitária, sendo este um feminismo vácuo, sem conteúdo real.
A performance utiliza anúncios falsos que soam constantemente, tentando vender uma suposta versão “Premium” da própria performance. No fundo, estes anuncios não venden nada mais que a oportunidade de liberar-se deles próprios, até que estes impossibilitan o acesso à suposta verdadeira performance, ou ao suposto verdadeiro feminismo. Mas, ao não chegar a acontecer, tambén se suscita uma pergunta: existe esse único, verdadeiro e inquestionável feminismo? Por outro lado, o título, tirado duma frase dum dos anúncios (“Ser usuária Premium foi o melhor que me aconteceu este 2019. Não posso acreditar que demorasse tanto tempo em tomar esta decissão. Agora, sou a melhor versão de mim própria. Agora, sou versão Premium”) faz referência à equiparação entre o ser e o consumir, é dizer, como nos identificamos através de aquilo que consumimos nas nossas vidas quotidianas. Será que sou mais feminista por levar uma t-shirt de Zara onde está escrito “Girl Power”?